A série Mistborn de Brandon Sanderson é um tipo de trilogia de fantasia que te envolve completamente. O estilo transparente de Sanderson continua no segundo livro da série. A trama mostra as dificuldades de um governo pós revolução, e lida com temas como auto-sacrifício, confiança versus auto-preservação, busca de indentidade e idealismo versus pragmatismo. O segundo livro é tão bom quanto o primeiro, porém mais lento em sua primeira parte. O cenário de Mistborn, um mundo medieval fantástico condenado por uma catástrofe do passado, fica mais detalhado ainda e graças a maestria de Sanderson, o cenário é construído sem ser forçado.

Sanderson é como um professor de como se escrever romances de fantasia. Mais uma vez, mesmo sendo o segundo volume de uma trilogia, o romance funciona sozinho, conta uma história inteira e resolve o seu conflito e dando uma grande satisfação para o leitor. Os personagens são muito interessantes e evoluem, mudando de acordo com os acontecimentos. Recomendo muito esse livro para todos os tipos de público, é um texto muito acessível e ao mesmo tempo, aborda questões interessantes, principalmente sobre o conflito entre o idealismo e o pragmatismo no mundo da política. E lógico, com muita ação mágica feita pelos Allomancers e os Mistborns, humanos que usam de metais para criar efeitos sobrenaturais! 🙂

Uma das principais lições do sucesso de Sanderson é o foco no desenvolvimento dos personagens. Os protagonistas possuem arcos de narrativa, onde  a partir de um conflito interno entre valores opostos, chegam, através da narrativa, a mudar seus comportamentos. Esse dinamismo dá mais veracidade aos protagonistas. Uma das narrativas de Mistborn é a da criação de um Imperador, e é um dos pontos fortes da trilogia.

O livro continua com cenas de lutas épicas, que lembram muito cenas de anime, e os níveis de poder dos personagens aumentam muito! 😀

Outro detalhe é o modo como estilo ficção científica que ele trata as raças não-humanas do mundo de Mistborn. O ponto de vista dessas raças é bem diferente do humano e possuem idéias bem criativas.

O outro tema abordado é a criação de uma religião, o modo como as narrativas vão sendo criadas e aumentadas em torno de algum tipo de salvador. O interessante é ver que mesmo com o Brandon Sanderson ser declaradamente mórmon, em seus escritos ele explora várias visões de mundo e pontos de vista diferentes sobre religião. A única influência que noto do Mormonismo em Mistborn é uma certa prudência e uma ausência de sexo gráfico ou fora do casamento. Mas é muito de leve (e devo ter notado por ter lido livros de fantasia mais brutais, como Cold Commands e os livros do Abercrombie).

E agora vamos para o terceiro e último volume da série Mistborn! (Depois tem uma noveleta chamada Alloy of the Law, que se passa beeem depois da trilogia, que devo ler em seguida tabém).

Fica a recomendação, o livro é DOIDIMAIS! 🙂

Livros que li no Goodreads (com resenhas)

Livros que li no Skoob (com resenhas)

 

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