Resenha: Meridiano de Sangue, Cormac McCarthy – O Realismo Brutal do Velho Oeste! #nitroblog

Blood Meridian é um anti-western, um gênero de literatura americana do velho oeste, criado a partir dos anos 60, que questiona o romantismo e os ideias dos romances clássicos de bangue-bangue optando pelo realismo para mostrar a brutalidade e a realidade desse período. Blood Merdian é um dos melhores (se não o melhor) exemplo desse tipo de literatura.

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Escrito pelo Cormac McCarthy (o mesmo escritor de “A Estrada” e “No Country for Old Man”, que viraram filmes muito inferiores aos originais)  e publicado em 1985, Blood Meridian contra a história de um adolescente, chamado apenas de “the kid” e suas experiências com a brutal gangue de Glanton, um grupo histórico de caçadores de escalpo que aterrorizaram e massacraram índios e mexicanos nas fronteiras entre os Estados Unidos e o México, nos anos de 1849 a 1850. O romance foi considerado pela revista Time um dos 100 melhores livros de língua inglesa entre 1923 a 2005.

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Um dos principais temas do livro é a natureza guerreira do homem, a inescapável força que leva o homem a viver em um estado de perpétua guerra. Esse é um dos livros mais violentos que já li, mas a violência é parte da descrição realista do período. Cormac foi corajoso ao expor esse período da história americana, questionando as próprias bases da “ética do cowboy”, presente até hoje. Gostaria muito de ler romances revisionistas como esse sobre a história do Brasil, que é tão sangrenta quanto a norte-americana.

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O livro também fala sobre a brutalidade e a violência gerada pelo avanço da civilização nas áreas selvagens, contrastando a visão de mundo contemporânea com as tradicionais. Um dos personagens, o Judge, parece ser a encarnar o espírito materialista,racional e científico do século vinte, de uma maneira brutal e sem nenhum traço de humanismo

O Juiz!
O Juiz!

O estilo de Cormac é uma arte em si. Usando de maneira maestral um narrador onisciente, seu estilo é seco mas ao mesmo tempo lírico,especialmente na descrição de paisagens. O livro tem característics cinematográficas, não existe mergulho na mente dos personagens, os eventos são mostrados por fora, como em um filme. Os personagens revelam suas personalidades através de suas ações.

 

O livro possui muitas cenas fortes, com todo o tipo de brutalidade e violência imaginável. O velho oeste de Cormac parece uma terra pós-apocalíptica, ecoando os mesmos cenários do The Road (este sim pós-apocalíptico). A degeneração do oeste selvagem a partir do contato das tribos com a civilização europeia é impressionante e ficou de fora dos tradicionais filmes do velho oeste. E como esse imaginário faz parte da alma americana, fica mais fácil de entender o belicismo americano ao ver como foi a colonização do país.

 

Esse é um livro fenomenal, fantástico e que merece várias leituras. A crueldade e a frieza dos personagens contextualizam as cenas de violência de uma maneira que impressiona.

 

Fica a recomendação!

Blood Meridian na Amazon (versão que eu li)

Meridiano de Sangue – Edição Brasileira

Imagens inspiradas pelo livro!


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