Words of Radiance (Stormlight #2) – A Força dos Personagens na Fantasia de Brandon Sanderson #resenha

Words of Radiance foca principalmente em quatro personagens principais, Shallan, Kaladin, Dalinar e Adolin. Apesar do romance conter muitos outros personagens importantes (somando-se aos novos que são apresentados nos “interlúdios” entre cada uma das partes do Words of Radiance) , os focos narrativos dos dois primeiros livros foram em Kaladin e Shallan. Cada um teve cerca de 150 mil (600 páginas ) palavras dentro das 400 mil (1088 páginas) palavras em média de cada tomo.

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Words Of Radiance - Stormlight Shallan


É praticamente um livro inteiro para cada um dos personagens, o que cria uma grande intimidade no leitor. Nas mãos de um escritor com menos habilidade, essa quantidade de narrativa (em sua grande parte flashbacks) poderia se tornar cansativo, mas Sanderson  consegue manter seus personagens interessantes e complexos, revelando novas facetas e novos mistérios a respeito de seu passado ao longo dos acontecimentos da narrativa.

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A prosa é completamente seca, sem muitos artifícios, transparente e combinando bem com um equilíbrio entre desenvolvimento da trama e profundidade de caracterização. O ponto forte de Sanderson é sua a capacidade de contar histórias interessantes com grande profundidade de caracterização. E nesse livro ele se superou!

O cenário original, um dos principais atrativos da série Stormlight, aumenta em detalhes e complexidade, e revelando a ligação entre Words of Radiance com os outros livros de Sanderson (Elantris, trilogia Mistborn, Warbreaker, etc.) em seu multiverso, chamado de Cosmere. Outro grande ponto forte de Sanderson são seus intrincados sistemas de magia, e em Words of Radiance adiciona novos elementos interessantes, envolvendo os Spren, os espíritos da terra de Roshar.

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Se em Way of Kings Sanderson explorou o passado de Kaladin, em Words of Radiance conhecemos mais sobre Shallan. Sua história é contada por meio de flashbacks colocados estratégicamente ao longo da narrativa, revelando passo a passo o mistério por trás da jovem desenhista. Provavelmente, no próximo livro teremos o passado de Dalinar, um dos meus personagens favoritos da saga.

Sanderson é um escritor planificador assumido, e o modo como ele estruturou a saga Stormlight favorece seu ponto forte, a caracterização dos personagens. Cada volume é centrado nos flashbacks de um dos personagens principais. Se em The Way of Kings aprendemos muito sobre o personagem de Kaladin, em Words of Radiance o foco é em Shallan.

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Esse é um dos segredos de quebrar os clichês de personagens: explore a fundo a vida e a alma dos personagens que você cria. Na vida fora da literatura, o suposto “mundo real” não existem pessoas-clichês porque não existem duas vidas iguais. Cada um é a somatória de tudo que viveu, os detalhes, as peculiaridades, as diferentes experiências e as diferentes reações que se tem formam personalidades completamente diferentes.

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Com essa abordagem, Kaladin e Shallan se transformam em algo mais do que simples elementos de uma narrativa. Eles ganham vida, ganham complexidade e revelam novas facetas ao longo da história.

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Se nas obras anteriores de Sanderson tinha mundos de fantasia intrincados, me parece que em Stormlight, ele focou seus esforços em construir personagens tão complexos quanto seus mundos de fantasia. Esse esforço pode tornar partes da leitura de Way of Kings e de Words of Radiance lenta para alguns leitores, mas, na minha visão, compensa pela caracterização, que deixa a história mais interessante, pois nos importamos pelos personagens que conhecemos tão a fundo.

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Outra parte que gostei em Words of Radiance foi o aumento do nível de intriga da narrativa, retomando todas as tramas do Way of Kings e introduzindo novos elementos, o que resultou em um ritmo mais rápido na narrativa. Eu adoro intriga, acho vital em épicos de fantasia, e acredito que Sanderson foi bem sucedido em Words of Radiance.

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Refletindo a evolução da literatura de fantasia contemporânea, os vilões são bem construídos e possuem motivações justificadas dentro da situação apresentada. Apesar de não haver maniqueismo, Sanderson tem claro o que vê como o bem, como o correto, e a busca dessa correção na vida está presente nos dilemas de seus protagonistas. É bem diferente do nihilismo e egoísmo mais presentes nos romances de Abecrombie (First Law Trilogy) ou Glen Cook (Companhia Negra) entre outros que tenho curtido ultimamente, o que dá uma variação bem agradável de tema. O humanismo presente em Words of Radiance serve como uma atualização dos conceitos de bem e mal para o leitor contemporâneo.

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Isso é bem evidente na caracterização dos Parshendi, uma raça tribal das Shattered Plains (as Planícies Quebradas, onde ocorre a grande guerra que é o cenário principal dos dois romances). Pela primeira vez na saga Stormlight conseguimos ter uma visão “para além das linhas inimigas”, feita com muita habilidade e inteligência, sem cair na armadilha fácil do extremismo.  Seguindo a linha da guerra causada por choque de culturas, a descrição dos Parshendi foi bem original, uma raça bem alienígena em sua concepção. Muito bom mesmo!

Sanderson também caprichou nas cenas de luta, a cada livro seus combates ficam cada vez mais interessantes e detalhados. E o final do livro é muito épico e apocalíptico, muito mais do que no primeiro livro, com direito a combates de exércitos enormes, lutas lendárias, etc. Fica até difícil imaginar como serão os demais livros!

Quando tiver um tempo (estou trabalhando diariamente na segunda versão do Marca da Caveira!), eu pretendo fazer um pequeno guia sobre o fantástico cenário da saga Stormlight. Vamos ver se alguma editora se anima a trazer esses livros para o Brasil. Sei que o tamanho deles assusta, mas quem sabe?

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Fica a recomendação. Words of Radiance é fantástico, leitura obrigatória para fãs de fantasia e uma saga que já nasceu clássica! E que venha o próximo! 😀

Para quem quiser participar da maior comunidade online de fãs da saga Stormlight, recomendo o site Stormblessed, onde os mistérios dos livros são discutidos! 🙂

Agora vou dar uma pausa nas leituras de romances para ler e estudar o Revision and Self-Editing , um famoso guia para escritores de James Scott Bell para me ajudar na jornada da edição do Marca da Caveira! E vamo que vamo pessoal, vamos ler e escrever porque é DOIDIMAIS!

 

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