Continuando a série de NitroDicas para Escritores Iniciantes sobre os Elementos da Trama, nesse vídeo falo sobre como escrever e melhorar os diálogos de uma narrativa.

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NitroDicas 14: Dicas para Escrever Diálogos – Elementos da Trama 6

Versão em PDF para Download: Dicas para Escrever Diálogos – Newton Nitro – (PDF)

O Diálogo é a maneira mais rápida de melhorar a sua narrativa.
Diálogo escrito em excesso, xoxo, monótono, mal editado, que não diferencia personagens, e que não avança a narrativa nem ajuda na caracterização de personagem pode derrubar um livro.

Um diálogo bem feito, interessante, surpreendente, com frases bem colocadas, que avança a narrativa e ajuda na caracterização, pode levantar um livro que tenha problemas em outras áreas.

A maioria dos leitores adora diálogos, eles deixam a narrativa mais viva e é uma forma de MOSTRAR o que se passa, de dar vida aos personagens e ao cenário.

Quanto mais inteligente e trabalhado os diálogos, mais profissional fica a narrativa.

DIÁLOGO É UMA FORMA DE AÇÃO DO PERSONAGEM
Os diálogos são físicos. Os personagens falam, e quando eles falam, deve ser porque eles estão seguindo suas motivações e objetivos em uma cena determinada.

Não se pode desperdiçar diálogos. Se o diálogo for sem importância, colocar ele em um sumário narrativo e guarde as cenas com diálogos para momentos mais importantes da narrativa.

Diálogo não é para matar o tempo. Diálogo é AÇÃO de personagem e deve estar integrado na narrativa ou para avançar a trama, ou para caracterizar os personagens ou ambos!

Diálogos são as palavras faladas em voz alta pelos seus personagens.

Existem dois tipos:

DIÁLOGO DIRETO
São as palavras exatas que os personagens falam, as falas com travessão que acontecem no presente da narrativa.

Ex.:
_ Você é um covarde, Tonhão! _ disse Miguelito.

_ Eu vou te matar, desgraçado! _ disse Tonhão sacando a espada.

DIÁLOGO INDIRETO
Uma descrição do que os personagens falaram, dando uma idéia de quais foram as palavras.

Ex.:
Miguelito chamou Tonhão de covarde. Tonhão gritou que o iria matar e sacou sua espada.

DIÁLOGO SUMARIZADO
Um sumário ou resumo de uma conversa inteira entre personagens, é parte de um sumário narrativo dentro do texto.

Ex:
Depois de uma troca de insultos e ameaças, Tonhão matou Miguelito com sua espada, enterrou seu corpo no lixão da cidade e depois se embebedou no bordéu da vila Mimosa.

O “diálogo direto” e o “diálogo indireto” são formas de MOSTRAR o que acontece, o “diálogo sumarizado” é uma forma de CONTAR o que acontece.

Lembrando que quando mais você MOSTRAR, principalmente em cenas, mais interessante fica para o seu leitor. CONTAR tem o seu momento nas transições e nas explicações de contexto, mas não nas cenas principais de sua história, onde acabam reduzindo o interesse do leitor.

DICAS PARA MOSTRAR SEUS DIÁLOGOS

1) Mostre diálogo direto palavra por palavra usando travessões. Não sumarize o que o persoangem diz. Mostre palavra por palavra.

2) Mostre diálogo indireto quase palavra por palavra, sem usar travessões. Pode haver um pouco de sumário aqui.

3) Use um marcador (tag) para mostrar quem está falando. Marcadores simples como “ele disse”, “ela disse” são interessante porque ficam mais invisíveis, mas depende muito do estilo do escritor.

Quando for óbvio quem está falando, pode se eliminar o marcador.

USANDO AÇÕES AO INVÉS DE MARCADORES DE DIÁLOGOS:

Uma dica é usar ações ao invés de marcadores. Por exemplo:

Tonhão sacou sua espada.

_ Eu vou te matar, desgraçado!

Miguelito agachou e colocou as mãos sobre sua cabeça.

_ Não, senhor, não me mate!

SEPARANDO OS DIÁLOGOS
Para ficar mais claro para o leitor, uma dica é separar cada diálogo em um parágrafo diferente, como nos exemplos acima.

DIÁLOGO É CONFLITO
Os diálogos devem servir principalmente em dois níveis, avançar a narrativa e caracterizar personagem. Escritores mais experientes colocam outros níveis nos diálogos, fazendo-os além de avançar a narrativa e caracterizar personagem, dar o tom para a história, reforçar o tema e descrever o ambiente.

Diálogos não devem ser desperdiçados. Um bom diálogo deve ser baseado em um conflito de interesses.

Observe os diálogos das cenas mais marcantes de diversas narrativas. A grande maioria deles envolvem conflitos de interesses. Cada palavra e cada frase pode ser entendida como golpes em um duelo. Isso pode ser observado em diálogos de humor, drama, romance, acusações, etc.

CUIDADO COM DIÁLOGOS PREVISÍVEIS
Quando o leitor sabe o que os seus personagens vão dizer em seguida, é um sinal que o diálogo ou a cena tem pouco conflito. Quando os personagens se supreendem dentro de um diálogo, a narrativa brilha.

Se seu diálogo estiver xoxo, muito convencional, introduza novos elementos, quebre o diálogo com frases imprevisíveis. Escritores inexperientes costumam escrever o que se chama de “diálogo reto”, previsível e com pouca variação.

Exemplo de um Diálogo Reto:

_ Oi.

_ Oi.

Uma edição simples nesse diálogo poderia ir logo direto ao ponto e surpreender o leitor.

Exemplo de revisão:

_ Oi.

_ Oi nada. Meu gato morreu e a culpa é sua.

Sempre que possível tente ir direto ao conflito do diálogo, para agilizar a narrativa e aumentar a tensão da cena.

Quando um diálogo estiver muito equilibrado, sem muitas novidades, uma técnica é introduzir um terceiro personagem para quebrar a monotonia, desbalanceando o diálogo e introduzindo um conflito.

Exemplo:

_ Então estamos combinados.

_ Certo. Vamos para Mória agora.

_ Beleza. Ai!

A pedra que o acertou na nuca rolou aos seus pés.

_ Parados aí! _ gritou o anão pelado que saiu da moita segurando uma segunda pedra. _ Se alguém se mover, morre!

Em seguida viria a discussão com o anão pelado.

VOZ NOS DIÁLOGOS
Trabalhe os diálogos para dar uma VOZ para cada um dos seus personagens. “Voz” é a forma particular que um personagem usa as palavras, o tipo de vocabulário que ele usa, o tipo de sintaxe (ou a ordem das palavras) que ele usa, como ele fala, expressões que repete, jargões, etc.

Use os diálogos para revelar a classe social, a educação, formação, origem e personalidade do seu personagem.

Exemplos de Voz:
Um professor universitário de literatura normalmente falaria de modo diferente do que um mendigo.

Uma criança fala de modo diferente do que um adulto.

Um teste para ver se seus personagens tem vozes diferentes é ler os diálogos sem as referências, e ver se, apenas pelo jeito de falar, você consegue identificar quais são os personagens que estão falando. Se você não conseguir identificar, altere e edite as falas até deixá-las bem marcantes para cada um dos seus personagens.

Para trabalhar voz você pode trabalhar os seguintes aspectos:
1) Vocabulário
2) Palavras e Expressões Favoritas.
3) Regionalismos
4) Dialeto
5) Sintaxe (ordem das palavras)
6) Verborragia (falar de mais) ou laconismo (falar pouco)

ELEMENTOS IMPORTANTES NOS DIÁLOGOS

Cada diálogo de um romance tem que ser intencional. Você precisa saber porque está escrevendo o diálogo.

TEM QUE VALER A PENA PARA A NARRATIVA
Tem que ser essencial para a história. Tem que avançar a narrativa, revelar e caracterizar personagem e refletir o tema.

EVITE EXPOSIÇÃO FORA DO CONTEXTO
Em sua grande maioria, acontece entre dois personagens. Pode ser usado para passar informações para o leitor mas SEMPRE tenha em mente que são dois personagens conversando, falando o que falariam normalmente dentro do contexto onde estão.

Por exemplo:

_ Oi, que bom que você chegou.

_ Foi difícil. O portal estelar estava estragado e tive que pegar o teletransporte. Como você sabe, o teletransporte foi inventado em 20120 inicialmente como uma arma contra a invasão dos Insetos de Vênus, mas agora é usado esporadicamente para resolver problemas de tráfico espacial.

_ Que bom, vou fazer um chá para você.

Deve-se evitar esse tipo de “infodump” ou “despejo de informação” dentro de um diálogo, fica muito na cara que a informação está sendo enviada diretamente para o leitor.

O ideal seria ser mais sutil, e sempre lembrar que nos diálogos, o personagem irá falar aquilo que normalmente falaria dentro da situação. Ele não sabe que tem um “leitor” lendo e que precisa da informação.

Frases como “como você sabe” indicam que o que vem a seguir é um “despejo de informação”.

Uma técnica muito comum para lidar com esse tipo de exposição é criar um diálogo entre um expert e alguém que não sabe nada sobre o assunto que o escritor quer passar para o leitor.

Exemplo:

_ Como é que é essa história de teletransporte?

_ Bem, o teletransporte que foi inventado em 20120 incialmente como uma arma contra a invasão dos Insetos de Vênus, mas agora é usado esporadicamente para resolver problemas de tráfico espacial.

CONFLITO E TENSÃO SÃO OS ELEMENTOS BÁSICOS DE UM BOM DIÁLOGO NARRATIVO
Diálogo deve ter tensão e conflito para justificar sua presença no texto.
Hitchcock tinha uma frase que repetia sempre: Os melhores diálogos são aqueles que não possuem partes monótonas. Sem tensão ou conflito, sem diálogo.

A tensão pode ser modulada, mais forte ou mais fraca, o conflito pode surgir, submergir, torcer, virar outra coisa, etc.

Exemplo da peça Dois Perdidos em uma Noite Suja, do Plínio Marcos:
(link para download da peça: http://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/vestibular/Vest2013_1/Editais/DOIS_PERDIDOS.pdf )

TONHO
Onde você roubou?
PACO
Roubou o quê?
TONHO
O sapato.
PACO
Não roubei.
TONHO
Não mente.
PACO
Não sou ladrão.
TONHO
Você não me engana.
PACO
Nunca roubei nada.
TONHO
Pensa que sou bobo?
PACO
Você está enganado comigo.
TONHO
Deixa de onda e dá o serviço.
PACO
Que serviço?
TONHO
Está se fazendo de otário? Quero saber onde você roubou esses sapatos.

Conflito acontece quando cada um dos personagens tem uma motivação diferente em um diálogo. Uma técnica é sempre colocar diferenças de opiniões entre os personagens envolvidos em um diálogo. Podem ser grandes ou pequenas, pode ser uma coisa boba, como “se devem comprar capuccino ou toddy”, mas sempre deve haver conflito.

DEVE PARECER REAL SEM SER UMA TRANSCRIÇÃO DE COMO É UM DIÁLOGO REALMENTE
Diálogos narrativos não são um retrato dos diálogos na vida real. Faça uma experiência, se grave falando ou em um diálogo. Muito de nossa fala é repetitiva, cheia de “ahs”, “hums”, “ans”, frases param no meio, voltam, etc.

Na literatura, o escritor sempre busca criar uma ilusão do diálogo da vida real, mas como está em uma narrativa, o diálogo deve ir focar no objetivo central da cena, seja avançar a trama ou caracterizar personagem.

Observe como os escritores consagrados lidam com seus diálogos e veja as diferentes técnicas que eles usam para dar a “sensação” de diálogo real.

DIÁLOGOS EXUTOS
No passado, os leitores tinham mais tolerância para diálogos exagerados, enormes, demorados e inchados.

Atualmente, devido a influência da mídia do cinema e da televisão, os leitores esperam diálogos mais enxutos, comprimidos, diretos ao ponto.

Todo personagem deve ter uma razão muito forte para falar dentro de uma narrativa.

SUBTEXTO NOS DIÁLOGOS
Essa é uma técnica avançada. Nos diálogos, o que não é dito é tão importante quanto o que é dito.

Um diálogo bem feito deveria possuir um ou mais dos seguintes elementos:
– O conflito principal do diálogo.
– As emoções, pensamentos, motivações reais por trás do conflito principal do diálogo.
– Subtexto, ou uma outra camada de interpretação, aludir indiretamente a um conflito mais sério que permeia tudo.
– Uma relação com o tema da narrativa.

Um exemplo muito claro disso é o diálogo da fantástica e tensa cena inicial de Bastardos Inglórios, entre um oficial nazista conversando com um fazendeiro que está escondendo judeus no subsolo de sua casa. O diálogo tem várias camadas, aludindo ao tema do filme, ao dilema da perseguição nazista aos judeus e escondendo uma ameaça velada contra o fazendeiro.

Uma técnica para criar diálogos assim é primeiro escrever, quando na primeira versão, o diálogo direto, com tudo que se quer falar de maneira clara, aberta, e “na cara”.

Na reescrita, você vai escondendo por meio de metáforas, de outros assuntos, retirando as referências mais diretas e ocultando o máximo, “comprimindo” o diálogo. Como eu sempre digo, “escrever é reescrever”, ninguém acerta diálogo de cara.

O lema de Elmore Leonard, o mestre dos diálogos, era o seguinte: Ele lia o que escrevia, se se parecesse com escrita, ele reescrevia até parecer que não foi escrito, que foi retirado direto da vida real.

ALGUMAS DICAS PARA EDITAR SEUS DIÁLOGOS
Seguem algumas dicas que podem ajudar a melhorar os diálogos de uma narrativa.

ORQUESTRE OS DIÁLOGOS
Orquestrar diálogos é criar personagens que são bem diferentes entre si para permitir conflitos e tensão. Isso gera automaticamente diálogos fascinantes, quando se joga os personagens uns contra os outros.

RETIRE AS PALAVRAS EM EXCESSO
Quanto mais sintético melhor. Menos é sempre mais em diálogos, falar muito com poucas palavras, escolhendo a dedo quais são essenciais para passar o que se deve passar.

Você não precisa começar um diálogo na primeira palavra e terminar na última. Siga o exemplo do mestre Rubem Fonseca, começe o diálogo direto ao ponto e termine antes do final, para focar apenas no que importa para a cena. O começo e o final, se forem necessários, podem ser sumarizados.

INVERTA OS DIÁLOGOS
Se os diálogos estiverem muito previsíveis, reveja as falas e veja o que você pode fazer para variar as respostas, para não deixar tão óbvias. Existem milhares de maneiras de falar a mesma coisa, maneiras criativas, usando gestos, figuras de linguagem, ironias, etc.

Faça seus diálogos terem coisas imprevisíveis, tangentes de conversa que aparentente não tem relação com o tópico do diálog, mas que servem para caracterizar os personagens.

SEUS PERSONAGENS NÃO SÃO APENAS CABEÇAS QUE FALAM
Intercale as falas com movimentos, ações, interação com o cenário, interrupções de coisas que se movimentam em torno deles. Isso ajuda a quebrar a monotonia, aumenta a imersão do leitor e serve para salpicar descrições ao longo da cena, evitando os temíveis “despejos de informações”, blocos fechados de parágrafos com descrições que se mostram claramente enxertadas na narrativa.

LEIA OS SEUS DIÁLOGOS EM VOZ ALTA
Essa é a melhor maneira de “sentir” se o diálogo está fluindo, se está de acordo com o tom e o tema da narrativa, se está representando os personagens.

DIÁLOGOS PARA MOMENTOS DE FORTE EMOÇÃO
Observe como as pessoas falam e momentos de forte emoção. Elas param no meio de frases, recomeçam o que querem falar, ficam irritadas, hesitam, etc. Atrapalhar com as frases, parar e recomeçar, são técnicas para deixar os diálogos mais emotivos, para cenas de forte emoção.

QUANTO MAIS VOCÊ ESCREVER DIÁLOGOS MELHOR!
Prática é o principal.

SAIBA DAS REGRAS GRAMATICAIS PARA DIÁLOGOS
Mesmo que você for quebrá-las, usar ou não travessão, usar aspas, usar marcadores ou não, etc. é importante saber quais são os padrões usados para os diálogos.

ESTUDE OS DIÁLOGOS DOS ESCRITORES E AUTORES CONSAGRADOS
Uma das melhores maneiras de aprender a escrever diálogos é estudar os diálogos de autores consagrados. Dramaturgos (autores de teatro) por exemplo, são mestres do diálogo, visto que é a estrutura principal do texto teatral.

Filmes e séries de televisão também dão bons (e maus) exemplos de diálogos. Veja como os autores usam dos diálogos para contar a história, revelar emoções, pensamentos, intenções.

Recomendo a leitura de autores feras em diálogos como Rubem Fonseca, Plínio Marcos (dramaturgo, recomendo todas suas peças pela força dos diálogos), Nelson Rodrigues (sua obra no teatro é muito boa), Patrícia Melo (herdeira do Rubem Fonseca na literatura de crime, excelentes diálogos).

De autores estrangeiros, Elmore Leonard é considerado uma lenda viva dos diálogos, mas colocaria também Joe Abercrombie, Quentin Tarantino (roteiros de filmes, diálogos afiadíssimos), e George R. R. Martin (com diálogos que viram citações pelos fãs, quer mais do que isso!).

Leia, sublinhe, veja o que fizeram e aprendam com os mestres. Os diálogos é a espinha dorsal de uma obra contemporânea, e os leitores atuais adoram!

REFERÊNCIAS:
Revision And Self-Editing (Write Great Fiction) – James Scott Bell

Writing Fiction For Dummies [Kindle Edition] – Peter Economy (Author), Randy Ingermanson (Author)

Elements of Fiction Writing – Scene & Structure [Kindle Edition]
Jack Bickham (Author)

ALGUNS ESCRITORES BRASILEIROS FERAS NO DIÁLOGO
Plínio Marcos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pl%C3%ADnio_Marcos

Peça: Dois Perdidos em uma Noite Suja
http://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/vestibular/Vest2013_1/Editais/DOIS_PERDIDOS.pdf

Rubem Fonseca
http://en.wikipedia.org/wiki/Rubem_Fonseca

Patrícia Melo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Patr%C3%ADcia_Melo

Nelson Rodrigues
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nelson_rodrigues

ALGUNS ESCRITORES ESTRANGEIROS
Elmore Leonard
http://pt.wikipedia.org/wiki/Elmore_Leonard

Joe Abercrombie
http://pt.wikipedia.org/wiki/Joe_Abercrombie

George R. R. Martin
http://pt.wikipedia.org/wiki/George_R._R._Martin

Quentin Tarantingo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Quentin_Tarantino

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