Conan, The Cimmerian #0 a #25 – No Espírito dos Contos Originais de Robert H. Howard!

O que a Dark Horse fez quando assumiu o Conan em 2004 foi algo como uma ressureição dos mortos. O personagem acabou se transformando em um clichê, o “barbaro furioso”, envolvido em histórias que eram mais como paródias “sessão da tarde” dos violentos contos originais de Robert E. Howard.

Como eu disse na resenha de Conan (0-50, 2004-2008), a sacada genial da Dark Horse foi ter levado o personagem de volta a sua origens, buscando nos contos originais de Howard o segredo da força e da permanência do personagem no imaginário.

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E felizmente, em Conan, The Cimmerian, a editora manteve a filosofia. E melhor, diferente da saga anterior, eles optaram por interligar cronologicamente todas as edições dessa série. É uma história longa, contada em 26 edições, e vale muito a pena ler!

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A saga se passa em quatro arcos narrativos, com algumas histórias curtas completas entre elas.

#00-07 Cimmeria
#08-13: Black Colossus
#14, 16-21: Free Companions
#22-25: Iron Shadows in the Moon

A proposta de estabelecer uma sequência cronológica de eventos ajudou na caracterização do Conan nessa saga. Gostei demais da estratégia da Dark Horse de se basear nos contos originais para criar os arcos narrativos, desenvolvendo mais os personagens coadjuvantes (e outros apenas citados nos contos originais) por meio de aventuras ligando os contos originais.

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O trabalho é muito bem feito, com um imenso respeito ao original de Howard. Apesar de ser fã de muitas histórias da era da Espada Selvagem na Marvel, o modo como a Dark Horse está trabalhando o personagem tem um toque mais literário, muitas vezes sinto como se estivesse lendo um conto original do Howard.

O mundo hiboriano, assim como na saga anterior (Conan 2004-2008) é representado com toda sua violência e selvageria. As histórias em Conan The Cimmerian continuam com toques de realismo e uma excelente narrativa.

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O primeiro arco, Cimmeria, se foca na pouco explorada terra natal de Conan. Duas narrativas se entrelaçam, a saga do avô do Conan (durão para caray!) e as encrencas em que Conan se envolve na Ciméria. Nos trabalhos originais de Howard, a Ciméria é apenas referenciada por alto, em meio a poemas, e nas falas de Conan. Os estudiosos da obra de Howard costumam estabelecer paralelos entre a Ciméria e a terra natal do autor, Paster, Texas, um território inóspito, vasto e isolado, povoado com um povo resiliente, rústico e apegado ao seu estilo simples e selvagem de viver.

E mesmo com poucas indicações de Howard, o escritor Timothy Truman cria uma Ciméria que passa uma sensação realista, dentro da visão original. As rivalidades entre os clãs cimerianos, as razões do desejo de aventura de Conan ecoadas na saga de seu avô Connacth mantém essa sensação de estar lendo uma Ciméria muito próxima do que teria sido imaginada por Howard.

O arco Black Colossus transforma a história original de Howard em uma saga, desenvolvendo mais os personagens coadjuvantes (incluindo o vilão Natohk) e demonstrando o quanto é fodásico o artista Tomás Giorello.

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Free Companions também se baseia em referências bem esparsas nos contos originais para colocar Conan na lideração de um exército de mercenários (doidimais!), etabelecendo uma ponte narrativa para a adaptação de Iron Shadows of the Moon, uma das histórias mais lovecraftianas do Conan de Howard.

E Iron Shadows encerra, com a melhor arte dessas 25 edições e com cenas absolutamente fiéis ao conto original (incluindo parágrafos narrativos com frases de Howard).

Fica a recomendação, Conan, The Cimmerian é essencial para fãs do bárbaro!

E agora sigo em frente lendo a próxima saga da Dark Horse, Conan: Road of Kings (2010-2012).

Onde Comprar:

Conan, The Cimmerian
Dark Horse Digital
https://digital.darkhorse.com/browse/volume/49/

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Um comentário

  1. Rapaz, sou um fã incondicional do Conan, desde suas aventuras na Espada Selvagem, e muito me alegra ver que alguém está tratando bem esta personagem tão rica e ao mesmo tempo tão depressa pelo mainstream.

    Não vejo a hora de por as mãos nesta série. Também não vejo a hora de alguém levar a sério o Cimério no cinema (ou mesmo na TV, quem sabe).

    Obrigado pela dica. Abs!

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