The Grim Company de Luke Scull – Fantasia Brutal, Humor, Bandidagem e Cadáveres de Deuses! #resenha

Os deuses estão mortos. O Magolorde Salazar e suas tropas de guerreiros amplificados por magia, os Ampliados, destroem qualquer dissidência que eles encontram na mente da população, por meio dos Falcões da Mente. Do outro lado do Mar Quebrado, a Dama de Branco trama a liberação de Dorminia, com suas espiãs, as Mulheres Pálidas. Demônios e abominações infestam as Terras Altas.

O Mundo precisa desesperadamente de heróis. Mas o que o mundo recebe em seu lugar é um grupo maltrapilho de dois velhos e violentos guerreiros do norte, um jovem completamente iludido com o suposto passado heróico de seu pai, um Meiomago aleijado com talento para a traição, uma orfã viciada em drogas e um serviçal metido a intelectual: A Compania Cruel (The Grim Company).

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Grim Company é o livro de estréia de Luke Scull, um inglês nascido em Bristol e que viveu grande parte de sua vida nas Ilhas Britânicas. Um dos aspectos que aumentou a curiosidade para ler esse livro, além das ótimas resenhas, foi que Luke também trabalha com design de jogos de RPG para computadores, e trabalhou em vários títulos de sucesso para o estúdio Ossian e para a (sagrado seja seu nome) Bioware. Ele começou sua carreira quando uma de suas modificações de Neverwinter Nights (o primeiro, o único que presta na minha opinião) fez muito sucesso.

Ou seja, é um cara que tá na crista da onda da narrativa de fantasia atual, e com um pé na narrativa de games, o que penso ajuda muito no ritmo da trama de Grim Company e na criatividade da criação do mundo e design da magia, histórico e das criaturas.

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Grim Company (lançado em Fevereiro de 2013 pela Head of Zeus e depois comprado e relançado pela Ace-Rock books) tem 464 páginas, dividido em quarenta e um capítulos, cada um com seu título. A narrativa é feita em terceira pessoa, através de personagens com nomes bem característicos da fantasia contemporânea, como Davarus Cole (um jovem órfão iludido que é um herói), Brodar Kayne (um velho bárbaro com um passado triste), Yllandris (uma jovem e ambiciosa bruxa das vastidões do norte), Sasha (uma órfã viciada em drogas) e Tarn (o Meiomago, um aprendiz de mago que foi aleijado pelo seu próprio mestre, cínico e pessimista, o meu personagem favorito do livro).

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O livro segue a mesma linha da fantasia brutal e sombria (Fantasia Grimdark) que está em voga no momento. É uma espécie de cruzamento entre As Mentiras de Locke Lamora do Scott Lynch com O Poder da Espada (e a Trilogia da Primeira Lei) do Joe Abercrombie, e o tema dos deuses mortos da série Godslayer do James Clemens. Ou seja, exatamente o que eu curto em fantasia atualmente!

O cenário é muito bem construído, se passando quinhentos anos depois que os Magolordes do mundo se uniram e destruíram os Deuses. Sem os Deuses, os Magolordes assumiram o controle dos diversos reinos, usando seus poderes para impor um governo tirânico e um controle absoluto de seus súditos. E como sempre acontece, com o tempo os imortais Magolordes começaram a guerrear entre si. A história se passa no momento em que dois Magolordes, a Dama de Branco e Salazar iniciam uma guerra de aniquilação.

Como se não bastasse essa encrenca, o mundo está morrendo gradativamente, depois da morte dos Deuses. Os cadáveres gigantescos dos Deuses apodrecem pelo mundo, soltando energia mágica e criando um caos que progressivamente irá acabar com tudo.

Mas apesar do caráter sombrio do cenário, Luke Scull segue a linha do Abercrombie e injeta humor negro, personagens de moralidade dúbia (e alguns muito bem construídos) e diálogos inteligentes e cínicos. Mesmo se comparado as obras de Abercrombie e Scott Lynch, Luke Scull possui uma voz própria e um grande talento para criar tramas com diversas reviravoltas.

Esse é um tipo de livro que força você a ler sem parar, com muita ação, cenas que se sucedem uma atrás das outras, reviravoltas, mistérios e um grupo de personagens bem sujos, bem dentro da proposta da Fantasia Brutal.

Outra coisa que me chamou atenção e serve como uma dica para escritores de fantasia é que Luke Scull usa vários dos arquétipos tradicionais de fantasia, e, mesmo com o toque sombrio e amoral da Fantasia Brutal, os deixa bem originais, trabalhando na prosa, na caracterização, motivações e em uma trama bem amarrada. Ou seja, não se preocupe se você está usando arquétipos já trabalhados, preocupe-se em escrever bem, em trabalhar todos os aspectos da história ao invés de estressar com questões de originalidade. Ou, como dizia o Jorge Luiz Borges, depois de Homero (o suposto autor da Odisséia e de outros clássicos), todos os escritores só fazem é criar variações em cima do que já foi escrito.

Grim Company é uma história fantástica, cheia de ação, boa caracterização e uma trama amarrada. A prosa é seca e sem firulas (eu senti muito o contraste com a prosa poética do R. Scott Baker, que tinha acabado de ler), mas é direta ao ponto e serve perfeitamente para a história. Recomendo muito esse livro, principalmente para quem curte Fantasia Brutal! E já estou aguardando o Sword of the North, o Grim Company #2, que deve sair nesse ano!

SotN

E agora, e no próximo mês, vou finalmente retornar a saga Malazan de Steven Erickson, e ler os quatro livros finais, Reaper’s Gale, Toll the Hounds, Dust of Dreams e The Crippled God (cada um com 1.200 páginas cada!). A cada livro vou postando a resenha aqui.

E vamo continuar lendo porque ler é DOIDIMAIS!

Site oficial do Luke Scull

The Grim Company na Amazon

The Grim Company: 1 by Luke Scull The Grim Company: 1 

 

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4 comentários

  1. Poxa, parece bom mesmo. Pena que esses grandes escritores de fantasia raramente aparecem por aqui. E os nomes dos personagens são espetaculares!

    Cê lê no Kindle, tio? Estou pensando em começar a quebrar a cabeça pra ler em inglês mesmo (o meu é mais ou menos, estou melhorando lentamente a leitura, mas sempre fico sem paciência de ler um livro todo em inglês, quando a mente cansa)

    (uma coisa nada a ver, mas você já considerou em usar a fonte do corpo do blog maiorzinha? Apenas uma sugestão de um leitor assíduo mas meio cegueta que às vezes esquece de ler no feed e vem ler no blog :P)

  2. Licença, a leitura do livro é difícil? eu leio um pouco inglês e gostaria de ler essa história e acho que tão cedo não sai por aqui. Obrigado.

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