Resenha: Tales of Bauchelain and Korbal Broach Vol.1 – O Humor Negro de Stephen Erikson! #nitroblog #malazan

O lado humorístico do texto de Stephen Erikson sempre foi, para mim, um dos principais atrativos da sua narrativa na série Malazan. Intercalando histórias épicas, dramáticas e trágicas com momentos de humor deu um sabor mais interessante para a narrativa. Então, foi para mim uma boa surpresa ao ver que, no formato da noveleta, Erikcson soltou completamente o seu lado humorístico, de uma maneira peculiar e bem satírica.

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O Tales of Bauchelain and Korbal Broach Volume 1 é composto por três histórias dos mais famosos necromantes do mundo de Malazan. Apresentados no Malazan #3:Memories of Ice, os três contos descrevem aventuras fechadas e muito engraçadas dos dois, com a adição do maravilhoso criado (e viciadaço em tudo quanto é tipo de drogas) Emancipor Reese, o Sem-Sorte.

Mais um aviso, Stephen escreve fantasia suja, nada de romantismo, heróis perfeitinhos, musas suspirantes, etc. Ele está interessado no lado podre da fantasia (o que é doidimais!).

O primeiro conto, Blood Follows, é uma história de detetive com todos os elementos da narrativa noir, alterada e deformada para o mundo de Malazan. O conto também revela como Emancipor se tornou o servo dos dois necromantes.

O segundo conto, The Lees of Laughter’s End é uma aventura marinha, uma espécie de sátira ao terror lovecraftiano, onde os dois necromantes, a bordo do navio Suncurl, se deparam com um mal milenar. O que a primeira vista pareceria ser uma história de horror convencional, se torna uma narrativa caótica e muito engraçada, com direito a narrativa feita pelo ponto de vista do monstro.

O terceiro conto The Healthy Dead (os Mortos Saudáveis) é o meu favorito. Uma sátira ao fanatismo contemporâneo pela vida saudável, onde vemos os dois necromantes causando o caos em uma cidade controlada por uma ditatura da saúde, com paladinos encarnando a perfeição física executando qualquer cidadão que se recusasse a seguir os preceitos de uma vida pura e saudável, decretados por um rei viciado em exercícios físicos. A narrativa me lembrou os clímaxes de muitas de minhas aventuras de RPG, uma caotiqueira só, com zumbis maratonistas, a vingança das prostitutas mortas pela cruzada da pureza, e muito mais.

O livro não é para aqueles com nervos ou estômagos fracos. São histórias de humor negro e necromancia, ou seja, cheias de gosma, tripas, sangue e outros tipos de líquidos e substâncias bem nojentas! Mas, como sempre, escritas com maestria, e até com os momentos filosóficos que são a marca registrada do Stephen “Malazan” Erickson.

Fica a recomendação, até mesmo para aqueles que se sentem mais intimidados pela complexidade (e piração) da narrativa dos livros da série Malazan. Tales of Bauchelain and Korbal Broach Vol.1 é uma ótima introdução ao texto do Stephen, e os contos podem ser lidos sem nenhum conhecimento do universo Malazan.

Agora, para dar aquela quebrada no ritmo e dando uma pausa no gênero de fantasia, lerei Child of God, um romance anti-western de 1973 do mestre Cormac McCarthy (pretendo ler TODOS os livros dele esse ano, o cara é perfeito em praticamente tudo, narrativa, diálogo, descrição, tema, etc. etc.).

Então é isso aí! E vamo ler porque ler é DOIDIMAIS VÉI!

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