Livros lidos em Outubro, 2014: Crônicas Saxônicas,The Bone Clocks e The Moon is a Harsh Mistress!

Esse mês foi bem produtivo em termos de leitura. Como estou trabalhando intensamente no Marca da Caveira, resolvi reunir as mini-resenhas das minhas leituras em um único post aqui no blog. Todas as minhas resenhas estão no meu site no goodreads e no skoob. Agora em Novembro, estou lendo a Divina Comédia de Dante (em uma tradução inglesa maravilhosa) e pretendo voltar ao mundo de Malazan com os livros do  Ian Cameron Esslemont (o parceiro do Steven Erickson).

Então vamos às resenhas! 🙂

The Bone ClocksThe Bone Clocks by David Mitchell

My rating: 4 of 5 stars

The Bone Clocks segue a mesma estrutura do Cloud Atlas, seis partes de 100 páginas, cada uma contando uma história a partir de um Ponto de Vista diferente, interligadas por uma metanarrativa. Nesse caso, a metanarrativa é uma guerra supernatural entre imortais, os Horologistas versus os Ancoritas. A mistureba de alta-literatura com fantasia e ficção-científica, a marca registrada de David Mitchel funciona novamente. Sua prosa é sensacional, com momentos de grande maestria e sensibilidade literária, os personagens são bem construídos e a trama, apesar de lenta em algumas partes, me agradou muito.

Ainda prefiro Cloud Atlas, um dos melhores livros que já li, mas Bone Clocks é fascinante e imersivo.

Imagino que o livro pode confundir alguns leitores que esperam uma narrativa supernatural mais tradicional. David Mitchel desenvolve a metanarrativa da guerra supernatural progressivamente, através de diversos pontos de vista, e, até a quinta parte do livro, essa metanarrativa não é o foco das histórias.

Recomendo o livro, mas indicaria a leitura do Bone Clocks depois da leitura do Cloud Atlas, principalmente pelas ligações temáticas e até mesmo de personagens entre os dois livros.

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Lords of the North (The Saxon Stories, #3)Lords of the North by Bernard Cornwell

My rating: 4 of 5 stars

Mais um livro das Crônicas Saxônicas do Bernard Cornwell. Depois de mais uma aventura de Uhtred, recomendo, para quem for encarar as crônicas, ler os livros na sequência, sem dar pausa. O que tinha me incomodado nos primeiros livros, em relação ao arco e a profundidade de alguns personagens (como o Rei Alfred, por exemplo), se resolve ao ler os livros em sequência. Cornwell extende os arcos dos personagens coadjuvantes ao longo dos livros, que agora considero como capítulos da crônica. Acredito que, como leitor, é mais divertido ler em sequência.

Sobre o Senhores do Norte, bem, até agora acho que é o livro que mais curti das sagas (tirando a batalha fantástica no final do segundo volume). Uhtred continua amadurecendo sob os olhos do leitor, e o conflito entre o cristianismo e o paganismo fica cada vez mais delineado, com um esforço nesse livro de balancear o lado cristão da história, dando mais nuances para os personagens que representam o cristianismo.

Notei uma evolução na prosa de Cornwell, com uma grande diminuição no uso dos advérbios, com mais cenas e menos narração, o que deixou o livro muito mais ágil. Cornwell é um dos melhores escritores de romances históricos que já li, e mais uma vez ele deu, em Senhores do Norte, uma aula de como narrar combates, misturando emoções pessoais com acontecimentos épicos.

Recomendo! E agora, seguindo meu próprio conselho, vou direto para A Canção da Espada, Crônicas Saxônicas Vol.4! 🙂

PS. Li Os Senhores do Norte – Lords of the North no original em inglês, não sei como está a tradução em português.

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Sword Song (The Saxon Stories, #4)Sword Song by Bernard Cornwell

My rating: 4 of 5 stars

Adorei esse quarto volume das Crônicas Saxônicas. É bem curto em comparação com os outros, mas, talvez por esse motivo, muito mais focado na ação. Essa série fica cada vez melhor, a cada livro, e reforço a minha recomendação de se ler os livros em série, para uma imersão completa na Inglaterra do século 9

Cornwell does spend more time with some of the other characters in this novel, however. We see more of Uhtred’s wife, Gisela, and we get to see Uhtred as a father to his daughter. A gentle side is not something we often see of Uhtred, and it adds a layer of complexity to his character that I wish Cornwell would develop more. Steapa and Finan, Uhtred’s companions of war, are back. The ever-likeable Father Willibald plays a prominent role. He is married now to Ragnar’s sister, and as always, is compassionate and gentle. He is a character I think everyone likes, but I could be wrong. Even Uhtred likes him, and that’s rare because Willibald is a Christian prie

Além de cenas de batalha impressionante, e com estratégias envolvendo navios, Cornwell tirou um pouco do tempo da narrativa para desenvolver os personagens coadjuvantes. E cada vez mais, o Padre Willibald está se tornando um dos meus personagens favoritos.

Além de Uhtred, que parece estar ficando mais civilizado ao chegar aos 28 anos, nesse livro ele não matou nenhuma vítima indefesa hahahahahaha! 🙂

A série é muito boa, recomendo fortemente! E vamo que vamo para The Burning Land! 😀

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The Burning Land (The Saxon Stories, #5)The Burning Land by Bernard Cornwell

My rating: 4 of 5 stars

Mais um capítulo banhado em sangue das aventuras do guerreiro saxão Uhtred de Bebbanburg. Bernard Cornwell manda muito bem, em mais um romance repleto de acção e que continua a saga da guerra pela supremacia na Grã-Bretanha.

Achei esse melhor do que o livro anterior (Sword Song – Canção da Espada) só por ser mais longo, pois a prosa e a manha que o Cornwell tem para contar histórias continua top.

The Burning Land – Terra em Chamas tem uma trama bem variada, com pirataria viking, em meio a mais uma invasão dos Dinamarqueses. Curti muito as descrições das estratégias usadas por Uhtred contra seus inimigos e das várias reviravoltas da trama. Talvez é um dos livros que tem mais ação de toda a série!

Recomendo! E agora vamo que vamo para Death of Kings, o 6º livro da série!

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Death of Kings (The Saxon Stories, #6)Death of Kings by Bernard Cornwell

My rating: 4 of 5 stars

O sexto livro das aventuras do pagão mais doidimais desse lado da literatura, o mega-mass Uthred se passa logo depois d amorte do Rei Alfred, o Grande, o que detona uma disputa feroz e brutal entre Saxões e Dinamarqueses pelo controle total da terra que se tornará a Inglaterra.

A saga de Uhtred continua, agora o nosso guerreiro pagão está mais velho e maduro, porém ainda nutre seu ódio e repulsa ao cristianismo, ao mesmo tempo que luta para manter o sonho do Rei Alfred de união entre os saxões e da construção de uma nação unificada pela mesma crença.

Nesse livro, Uhtred demonstra toda sua experiência de guerreiro, usando e abusando de estratégias inteligentes para derrotar os Dinamarqueses, que cercam em grande número o reino de Essex.

A escrita de Cornwell continua fantástica e eficiente em sua simplicidade. Diálogos curtos e diretos, descrições emocionantes de combates e a narração de Uthred dão vida a esse momento histórico. Uma coisa que notei nesse livro, e que tinha esquecido de falar em outras resenhas, é a habilidade de Cornwell nas descrições poéticas da natureza, sua Inglaterra é belíssima.

Death of Kings – Morte dos Reis é um livro de leitura rápida, emocionante e com o roteiro cheio de reviravoltas. Confesso que até emocionei com a morte do Rei Alfred, depois de acompanhar o personagem por 5 livros. E, se você topar ler as Crônicas Saxônicas, recomendo assistir a série de TV Vikings, que se passa cerca de 100 anos antes dos eventos das Crônicas Saxônicas! Aumenta a imersão violentamente! 😀

E agora vamos para o Pagan Lord, o volume 7 das Crônicas Saxônicas!

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The Pagan Lord (The Saxon Stories, #7)The Pagan Lord by Bernard Cornwell

My rating: 4 of 5 stars

E infelizmente cheguei no último livro públicado das crônicas saxônicas. The Pagan Lord – O Lorde Pagão coloca novamente Uhtred contra os Dinamarqueses, no complexo momento histórico após a morte de Alfred o Grande, e o esforço de continuidade do processo de integração da Inglaterra saxônica pelo seu filho Edward.

A história começa no pau, com o Uhtred transformado em um fora-da-lei por causa de um ato violento impensado. E lá vai o saxão mais doidimais da literatura para Nortúmbria, a fim de reconquistar a fortaleza de Bebbanburg. E isso é só o começo de uma trama bem labiríntica, acho que a mais cheia de viagens e reviravoltas da saga.

Uthred já está bem velho, mas continua detonando. Esse volume também conta com a introdução do seu filho Uhtred (sim, com o mesmo nome, e ainda tem mais Uhtreds no livro). O filho do saxão pagão tem tudo para continuar a tradição da espada Seprent’s Breath, e espero mais livros da saga no futuro.

Cornwell mostra porque é um dos melhores escritores de romances históricos de todos os tempos. O grande diferencial dele é o modo como coloca o leitor dentro de um ponto de vista diferente do contemporâneo. Uhtred é um pagão, pensa como pagão, age como pagão e tem valores pagões.
Recomendo mais uma vez esse livro e a leitura da saga inteira em sequêcia! É vivenciar a história da Inglaterra bem de perto, ao ponto de sentir o cheiro da carnificina e de ficar rouco de gritar SHIELDWAAAAAALLLl! 🙂

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The Moon Is a Harsh MistressThe Moon Is a Harsh Mistress by Robert A. Heinlein

My rating: 4 of 5 stars

Eu adiei por muito tempo a minha leitura do clássico e vencedor do Prêmio Hugo (o oscar da FC americana), The Moon is a Harsh Mistress, mas depois de ler as Crônicas Saxônicas decidi que estava na hora. De um durão como o Uhtred para outro durão, como é o Heinlein.

The Moon is a Harsh Mistress é um livro de ficção científica hard, ou seja, pesadão em termos de idéias e o mais próximo da ciência real que o escritor consegue escrever. O livro, que foi proibido em muitos lugares desde o seu lançamento, foi, escrito por Robert “Tropas Estelares” A. Heinlein em 1966. A narrativa descreve a guerra de independência de uma colônia penal localizada na Lua, nos anos 2075 e 2076, pelo ponto de vista de um dos personagens, com narração em primeira pessoa.

A minha surpresa foi ver o proto-cyberpunkismo do livro. Muito dos elementos do movimento cyberpunk dos anos 80 já aparecem nesse livro: inteligência artificial, revolução por meio de hackerismo, ciborgues, uma ideologia libertária, uma visão de “anti-sistema”, e até mesmo megalópoles infernais por todos os lados da Terra.

O que faz o livro ser tão polêmico e atual (mesmo fora do contexto da Guerra Fria onde foi escrito, porque toda ficção científica é na verdade um espelho do futuro projetado pelo presente de onde o autor escreve) é a exploração de algo Heinlein chama de “anarquismo racional”.

“Um anarquista racional”, como o personagem, o Professor De La Paz se auto-define, ” é alguém que acredita que conceitos como” Estado “e” sociedade “e” governo “não têm existência em si, a única coisa que realmente existe são os atos dos indivíduos. Ele acredita que é impossível transferir a culpa para um sistema, uma ideologia ou uma organização (como o suposto “governo”), e que a reponsabilidade pelas ações assim como a culpa dos erros acontecem apenas individualmente, e que esses indivíduos são os que deveriam ser responsabilizados, sem a hipocrisia de se culpar uma estrutura abstrata como “sociedade” ou “governo”. Mas, sendo racional, ele sabe que nem todos os indivíduos concordarão com ele, de modo que ele tenta viver perfeitamente num mundo imperfeito, assumindo a responsabilidade total de suas próprias ações”.

Essa idéia é explorada exaustivamente ao longo do livro, em diálogos socráticos iniciados por De La Paz e com exemplos práticos demonstrado pelos acontecimentos da revolução da colônia lunar. Essa mensagem anarquista e libertária é contrastada com a realidade dura do pós-revolução, que força os revolucionários a adotarem as mesmas práticas totalitárias dos seus inimigos. Além disso, a famosa frase “não existe almoço grátis”, repetida pelo livro, aumenta o realismo da narrativa e evita o tom panfletário, expondo as contradições das idéias e utopias libertárias dos revolucionários.

Esse é um livro de idéias, o foco da narrativa é a demonstração das idéias libertárias de Heinlein. Mas mesmo assim, a narrativa é emocionante, mesmo com enormes passagens de exposição.

Em termos de técnicas narrativas, Heinlein prova porque é um dos escritores mais celebrados em termos de estilo na FC. O livro é narrado em primeira pessoa por um protagonista que fala um inglês com forte influência russa. As passagens dos diálogos entre o protagonista e a inteligência artificial que ajuda os revolucionários são os pontos altos do livro. E, como trekker, notei como Mike (a inteligência artificial do livro) serviu de base para Data (o andrõide da série Star Trek Next Generation), principalmente com sua obsessão com o humor humano.

Fica a recomendação, The Moon is a Harsh Mistress, além de ter um dos melhores títulos da Ficção Científica americana, é muito bom, misturando temas cerebrais, filosóficos com tensão, ação e um final apocalíptico!

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Então é isso aí para esse mês! E que venha Novembro com Dante, Malazan e Cormac McCarthy! 😀

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10 comentários

  1. Cara,

    No momento só posso dizer que sinto uma ponta de inveja pela quantidade de livros que você consegue ler.

    Ultimamente, mal consigo ler os quadrinhos que tenho comprado… Rsrs…

    Grande abraço e parabéns pela qualidade do conteúdo.

    • Olá Marcus! Eu até não leio muito rapidamente mas sou muito disciplinado. Mantenho uma meta de 100 páginas de leitura por dia. Tem dia que leio mais, cerca de uma hora de leitura diária pelo menos. 🙂 Um grande abraço!

      • Eu não consigo ler 100 páginas por dia não, fico analisando cada parágrafo minuciosamente. Faz tempo que não relaxo durante a leitura. Tá até ficando chato. Foi bom a gente ter falado sobre isso. Tenho que me lembrar de ler um pouco por lazer de vez em quando. Ou misturar os dois estilos de leitura.

        P.S.: Que bom que o senhor voltou com os NitroDicas. Vou recomendar pra uma galera aqui.

        Um grande abraço! =)

      • Obrigado Marcus! 🙂 Eu também faço isso, principalmente com poesia. E tem livros que assim que termino eu começo a reler, para estudar mais a técnica. Mas ler por prazer é o principal para mim, é o que mais curto! 🙂 Um grande abraço!

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