Li o Nome do Vento (The Name of the Wind) e o Temor do Sábio (Wise Man’s Fear) assim que saíram em inglês, ou seja, já tem alguns anos, e já estava seco de vontade de retornar à prosa poética e musical do Patrick Rothfuss. Assim que soube que ele publicou uma noveleta de 150 páginas sobre a personagem Auri, corri para conferir a última obra do barbudão doidimais. E curti muito, mas já aviso, é um conto de pegada mais literária, não vai agradar quem busca uma história mais tradicional, com arco narrativo, clímax etc.

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O conto, que será lançado no Brasil com o título de A Música do Silêncio pela Editora Arqueiro, foca no dia a dia da Auri, uma personagem enigmática (e bem doidona) da saga do Matador Rei. Mais uma vez, o texto mostra a habilidade literária de Rothfuss, com metáforas e símiles bem trabalhadas, e uma musicalidade poética que permeia a leitura. O mundo e o ponto de vista peculiar de Auri, ela se relaciona com objetos inanimados como se fossem seres vivos e conscientes, é descrito em muitos detalhes. Pela primeira vez Rothfuss usa a terceira pessoa limitada em sua prosa, e o fez de maneira habilidosa e exemplar. O que mais gostei nessa novela é o modo como a narrativa coloca o leitor dentro da pele e da mente perturbada de Auri.

Como o Patrick avisa na introdução, o ideal é ler esse conto depois da leitura dos dois primeiros volumes da série. Não acontecem revelações importantes para a saga, o máximo que percebi foi um aprofundamento no modo como funciona a alquimia. O texto transborda de sensibilidade e aprofunda muito a personagem Auri (que já era uma das minhas favoritas da série). Como disse, o texto é mais uma exploração literária do mundo e do ponto de vista da Auri e pode ser lenta e chata para alguns leitores, assim, estejam avisados! 🙂

Fica a recomendação, principalmente para escritores interessados em estudar uma prosa bem feita, uma aula de como fazer uma magnífica descrição e exploração de lugares em terceira pessoa limitada e profunda.

E agora, como acabou de sair o The Empty Throne, oitavo livro das Crônicas Saxônicas do Bernard “Parede de Escudos” Cornwell e eu TENHO que saciar o meu vício saxão de qualquer maneira, vamo que vamo de novo para Nortumbria! 🙂 E vamos ler porque ler é DOIDIMAIS! 🙂

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