Resenha: Mangá Claymore, Fantasia Feminista Sombria Hiperviolenta Doidimais! #nitroblog

Claymore é um mangá que mistura ação medieval, fantasia feminista, lutas épicas no melhor estilo shounen (apesar do mangá ser quase um seinen, com temática adulta e violência extrema) , mosntros bizarrentos exploração da psique feminina e dos relacionamentos entre mulheres (e um garoto, hahaha). Me interessei em ler depois de ter sido muito recomendado e comparado com Berserk. Não acredito que a comparação seja justa, tirando a criatividade nos designs de monstros, o cenário medieval, os combates épicos, Claymore é muito diferente de Berserk, o que não quer dizer que é um mangá muito bom e viciante! O mangá, uma criação de Norihiro Yagi, foi publicado no japão na Shonen Jump e no Brasil é publicado pela Panini.

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A saga do mangá, (que está completo graças a Bahamut, adoro ler mangás completos, acho que estava esperando o Naruto terminar para retornar à leitura do ninja ruivo) se passa em uma ilha medieval ficcional, onde os humanos são perseguidos por monstros chamados de Yoma, transmorfos humanóides que se alimentam de ENTRANHAS HUMANAS. É isso mesmo que você leu, entranhas, eles adoram entranhas, e por todo o mangá os monstros ficam babando por entranhas humanas. Porque eles gostam de entranhas? É taradeza mesmo, porque a energia dos monstros se chama Yoki, cuja fonte não é bem explicada na saga (mas nem é necessária, na parte de técnicas narrativas (porque as minhas resenhas são mais focadas nas técnicas narrativas, ferramentas que podem ser usadas pelos escritores, eu escrevo essas resenhas também para aprender e refletir o que achei legal nas histórias que resenho) eu falo um pouco sobre as vantagens do design de mundo minimalista usado no Claymore.

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Para enfrentar os Yomas, um grupo misterioso conhecido como A Organização, cria guerreiras híbridas, com partes de Yomas em seus corpos. Essas guerreiras desenvolvem superpoderes e recebem espadas gigantescas e indestrutíveis, e são conhecidas como Claymores (o mesmo nome das espadas que usam). Essa guerreiras caçam yomas para a organização mediante uma taxa. Elas usam armaduras e uma espécie de uniforme, tem os olhos prateados e os cabelos loiros, quase brancos (como albinos).

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A partir dessa premissa que não é nem tão original assim, o mangaka Norihiro Yagi trabalha com muita habilidade, sempre supreendendo o leitor com reviravoltas, com personagens bem construídos, flashbacks interessantes e quebrando algumas espectativas do leitor, principalmente do leitor de mangás acostumado com grupos de mulheres superpoderosas.

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Esse é o tipo de mangá que curto, agora que estou velho, mangás como Evangelion, por exemplo, que são feitos para buscar desconstruir ou colocar novas variações nos topos tradicionais (no caso do Evangelion, é a desconstrução do topo dos Robôs Gigantes, no caso de Claymore, do topo dos grupos de mulheres superpoderosas estilo Saylor Moon).

E um destaque de Claymore é a imensa criatividade na criação e no desenho dos monstros. Um dos maiores baratos do mangá é ficar torcendo para o “despertar”, uma espécie de digievolução que acontece com os personagens (não vou falar mais para não dar spoiler), onde eles aumentam de poder e viram um monstrão medonho. A gente fica torcendo para ver que bizarrice o mangaka vai mostrar agora.

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Claymore começa como um shounen tradicional, para depois mudar totalmente e ficar bem imprevisível, com alterações de protagonistas da história (bem no esquema do Attack on Titan, que também usa da mesma técnica, e que e´um mangá que preciso retomar a leitura). As Claymores tem personalidades e histórias diferentes, motivações bem dramáticas (como é de praxe da narrativa de mangá japonesa de shounen, todo mundo tem trauma, mas eu adoro!) e são duronas pra caray! É um dos mangás de fantasia feminista mais interessantes que já li, tirando um personagem, todas as protagonistas são mulheres, e mulheres que dão muita, mas muita porrada, duronas pra caramba. Aos homens, cabe o papel de vítimas (para variar, não é?) e o de vilões, os chefões e membros da Organização são todos homens.

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Fica a recomendação, o mangá tem um começo muito bom, um meio bão dimais, um mega clímax que é fodásico (mas que achei que arrastou um pouco no finalzinho).

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TÉCNICAS NARRATIVAS DE CLAYMORE
Seguem algumas anotações que fiz ao ler a série Claymore.

Design minimalista: Curti muito o estilo minimalista de criação de mundos, adotado pelo Norihiro Yagi. Ele só expõe o necessário para o foco de sua história, que é a relação entre as guerreiras Claymore, o modo como elas lidam com seus traumas e como superam seus sofrimentos através da relação com as demais, dentro de um contexto opressor. O leitor só sabe do necessário para a sequência de cenas. Até o mundo é bem magrinho, sabe-se muito pouco sobre os pormenores do mundo, o que dá mais espaço para a exploração psicológica, que é, junto com as pancadarias e monstros de design bem criativos, a espinha da história.

Introdução do personagem com mistério. Mulheres jovens com demônios, o tema do estigma, do preço do poder, da rejeição de quem é superior ao resto (o que é um tema bem japonês, quem se diferencia da multidão tem que pagar o preço dessa diferenciação).

A força dos mangás e dos quadrinhos está em mostrar visualmente ao invés de contar o que acontece. Claymore mostra a formação das relações emocionais com imagens dramáticas, deixando o leitor ver a formação das ligações.

Exposição das motivações, um recurso comum em mangás, onde se precisa passar muita informação em poucas páginas (mesmo com os mangás tendo muitas páginas, no caso de Claymore, como o foco é na ação, é preciso deixar claro as motivações). A estrutura é simples, Clare é uma caçadora de yomas, criaturas demoníacas que podem assumir a forma de qualquer pessoa. Ela é uma Claymore, uma semi-yoma, com o poder de combater os yomas, mas com o risco de se tornar uma yoma no futuro.

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A criação de mundo é feita aos poucos, com os autores criando apenas o básico para as histórias e expandindo aos poucos. É uma estratégia interessante, porque submete a criação do universo à história que se pretende contar.

O uso de metáforas, o poder do Yoma como a sexualidade, a libido, e a violência instintiva que está em todos nós (e que é parte da nossa humanidade).

Mistérios atrás de Mistérios: Cada vez que se faz uma revelação, novos detalhes e mistérios surgem, criando pressão narrativa e levando e leitor a continuar.

Preço do Poder – As Claymores pagam com isolamento social e perda de humanidade, o seu poder de Yoma e sua super-força e regeneração.

Mistureba cronológica e flashbacks depois da exposição dos personagens – Curti demais o modo como eles lidaram com a sequência narrativa, indo e voltando no tempo, deixando tramas incompletas e iniciando outras para depois fechar as que foram abertas antes. É uma técnica sádica com o leitor, mas que mantém o cara lendo sem parar, tanto para fechar o gancho largado no passado quanto para fechar a nova narrativa que está lendo. E o uso de flashbacks para mostrar as motivações dos personagens, DEPOIS deles terem sido apresentados (e muitas vezes até mortos), foi bem feita. É uma técnica que pode desandar, principalmente se a narrativa enrolar demais no flashback, mas em Claymore os flashbacks são curtos e diretos ao ponto principal (que normalmente era a explicação do trauma que levou a personagem a virar uma Claymore).

PRÓXIMA LEITURA

Como ultimamente tenho escrito o meu romance Marca da Caveira ao som de muito Synthwave no canal mais massavéio doidimais do youtube, o Newretrowave ( https://www.youtube.com/user/NewRetroWave ), decidi reler Akira, de uma só vez, no pau, do início ao fim, e fazer minhas anotações das técnicas narrativas do Mankaga Supremo Nível 20 Katsushiro Otomo. Para quem não conhece (eu mesmo nem sabia da existência do gênero synthwave até a algumas semanas, esse estilo (também conhecido como darkwave, newretrowave) é feito de bandas instrumentais que criam músicas eletrônicos inspirados nas trilhas dos filmes dos anos 80, como Blade Runner, Mad Max, etc. É um som muito cyberpunk anos 80, totalmente retrô e nostálgico, e me remeteu a minha adolescência regada a Akira! 🙂

E junto com Akira, continuo a minha releitura de Watchmen, do Alan “eu odeio a DC” Moore é uma overdose de anos 80, até prum véio como eu! 🙂

Olha só o synthwave totalmente oitentista do Pertubator!

Muito climão Akira, Blade Runner, Bubblegun Crisis, Demon City etc., não é? 🙂

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3 comentários

  1. Essa técnica de descrição minimalista do cenário foi usada de maneira tão escrotamente, que precisaria de um outro mangá só para se aprofundar em todo o cenário que foi citado, as consequências da guerra com o povo dragão. Nem mesmo a população sabe o que existe além das montanhas, já precisariam ser caceteiros como as Claymore, simplesmente para desbravar esse cenário cheio de perigo.

    P.S.: Tio Nitro, num futuro próximo o senhor podeira nos descrever as técnicas narrativas de outro mangá tb: FullMetal Alchemist, por favor!!

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