Resenha: Pequenas Criaturas – Rubem Fonseca – A brutalidade do prosaico e o lado romântico do Rubão! #nitroblog

Em Pequenas Criaturas, Rubem Fonseca aventura por cenas prosaicas, por recortes de pessoas comuns, fugindo um pouco da brutalidade presente em “Feliz Ano Novo” e no “O Cobrador”, mesmo que, em alguns dos 30 contos, alguns dos seus temas brutalistas retornem. Fonseca continua usando sua consagrada voz narrativa, contrastando uma voz fria do narrador das histórias com temas ardentes como hipocrisia à moda brasileira, violência urbana, machismo, perversões, rancor social, usando de uma linguagem que mistura o popular com o erudito, e que ao mesmo tempo que usa clichês, os quebra, descontextualizando-os.

pequenas criaturas rubem fonseca

As informações inusitadas continuam aflorando e surpreendendo o leitor, o tom irônico permeia grande parte dos contos. Os contos que mais gostei no livro são “O Garoto Maravilha”, “Soma Zero”, e até um conto que pensei que cairia no terror, o excelente “Escuridão e Lucidez”. Alguns contos mostram um lado mais ameno e até romântico do escritor, como “Família é uma Merda”. E em “A Madrinha da Bateria”, Fonseca mergulha no ponto de vista de uma personagem feminina, o que não é tão comum em sua obra. É um dos contos mais interessantes e diferentes do livro, e curti demais, daria um ótimo filme ou curta metragem.

RBS2

Recomendadíssimo! 🙂

CITAÇÕES DOIDIMAIS TIRADAS DO “PEQUENAS CRIATURAS” DO RUBEM FONSECA

“Prostituta… É demais.”
“Hildete, o Zé é especialista em imagem, ele sabe o que está fazendo, nada disso vai diminuir você, quer dizer, a pessoa que você era e vai ser. Só lhe dará grandeza. Um ser humano que supera o sofrimento, a desgraça, os horrores que você, entre aspas, enfrentou, e dá a volta por cima, adquire uma grande autoridade moral. Sai a mendiga mas o resto fica, reconheço que ser mendigo indica uma falta total de altivez. Mas prostituta tem conotações preciosas, instiga a imaginação. Grandes heroínas da literatura, da ópera, do cinema, da História, eram meretrizes.”
“Chamavam-nas cortesãs, hetairas, sacerdotisas do amor.”
“É a mais antiga das profissões. Em todo país civilizado e culto, essa atividade existe e é considerada legítima.”
“Você acabou de ouvir a opinião de duas mulheres, Hildete.”

Rubem Fonseca – Pequenas Criaturas, “Hildete”

“Quero escrever um livro. Não penso em outra coisa. Li uma entrevista de um autor importante, não me lembro do nome, na qual ele dizia que sentava na frente do computador para escrever sem saber o quê, e à medida que escrevia, as ideias iam surgindo na sua cabeça, os personagens, a história, tudo. Se você quer escrever, aconselhava ele, comece — escrever é começar. Uma coisa simples, como todas as verdades. E a gente começa um livro dando-lhe um título, sem ele o livro não adquire o sopro inicial de vida necessário ao seu desenvolvimento, um livro é como uma pessoa, tem que ter logo um nome de batismo. Ontem comecei um livro, mas desisti. Fiquei horas na frente do papel, olhando para o título, e não saiu mais nada. Rasguei aquela folha e joguei no lixo. Hoje começo outro. Com título diferente, é claro, o primeiro abortou. Escrever é começar.”

Rubem Fonseca – Pequenas Criaturas, “Começo”

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