Filmes Doidimais: Napoleon (1927),Notorius (1946),The Insect Woman(1963)

Tirei esse último feriado (1/5/15) para assistir alguns filmes da lista dos 250 filmes mais importantes do cinema de todos os tempos, e como sempre acontece quando vejo filmes dessa lista maravilhosa, não me desapontei!

Napoleon (1927) Napoléon vu par Abel Gance

A obra prima de Abel Gance, uma monstruosidade de 5 horas de duração contando a ascenção de Napoleão, desde sua infância até a campanha da itália. O louco do Abel Gance, que aparece no filme como Saint-Just, um dos carrascos da Revolução Francesa, queria fazer outros 5 filmes além desse, para contar toda a história, mas, era loucura do francês mesmo.

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O filme foi revolucionário na época, inovando com trocentas técnicas novas, realismo nas cenas de combate, metáforas visuais por todos os lados (uma influência da literatura, que era muito forte nos diretores das décadas de 10 e 20).

É um filme mudo, já vou avisando, leva um tempo para acostumar, eu já estou acostumado e acho que tem até uma viagem interessante quando a gente assiste esses filmes, parece forçarem o espectador a sair de sua passividade. O problema de Napoleão de Abel Gance é que é longo pra caray, e a propaganda nacionalista francesa é na cara demais, principalmente porque não conseguia esquecer que o filme era um retrato de uma época onde idéias nacionalistas radicais e fascistas percorriam a Europa (e o Brasil também, como monstra de maneira fantástica Tempo e o Vento Vol. 2 e 3). Mas curti, achei o Napoleão bem estiloso, a fotografia bem legal e dei umas gargalhadas com a propaganda nacionalista explícita do filme.

Notorious (1946) de Alfred Hitchcock

Um clássico do Tio Hitchcock,  com o nome de Interlúdio no Brasil, esse filme conta com dois semideuses do cinema, Cary Grant e Ingrid Bergman, no auge de suas respectivas belezas. O filme se passa no Brazil, que só acrescenta um toque de exotismo, porém, fiquei impressionado em ver alguns personagens falando português, e não espanhol, como era de costume nos filmes mais antigos.

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A atuação é fantástica, cinematografia perfeita (ué, isso é um Hitchcock não é?), roteiro impecável e com um final mais cerebral que me pegou um pouco de supresa. Muito bom!

The Insect Woman (1963) Nippon konchûki, de Shôhei Imamura

Shôhei Imamura é mais uma nova descoberta para alimentar o meu vício e fascínio com tudo que vem do Japão e da cultura japonesa (uma obsessão que tenho desde de criança). Imamura é o diretor da podreira, do submundo, dos rejeitados, de tudo que de podre existe na sociedade japonesa. Seus filmes são tijoladas na cabeça, e The Insect Woman é sua obra prima (se é que dá para falar de obra prima com um diretor que só tem filme foda como Balada de Narayama, Black Rain e Vengeance is Mine, um dos filmes mais sombrios e nihilistas que já vi na vida).

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Insect Woman narra a história de uma mulher que nasceu na guerra e cresceu se adaptando a podreira e a destruição do pós-guerra japonês. É uma trajetória de corrupção, a partir da ingenuidade da infância até a maturidade amarga e destruída pela miséria e sordidez do submundo da prostituição. Fodásico, a história é feita em recortes, com cenas crueis e brutais, uma visão pessimista com personagens sem escrúpulos, que se traem o tempo todo por causa da sobrevivência. Estou atônito até agora com esse filme, e pretendo assistir todos os filmes do Imamura que conseguir encontrar.

É isso aí, e vamos assistir cinema de arte porque cinema é doidimais! 😀

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