Nesse mês de Abril, resolvi reler um dos meus livros favoritos, o Imajica de Clive Barker. Aproveitando, peguei a série de fantasia juvenil do Barker, Abarat, e li os três primeiros volumes, todos os que foram publicados até agora! E que viagem deliciosa! Recomendo!


Imajica – Clive Barker (823pgs – Lido de 6/4/17 a 12/4/17)

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O que dizer de Imajica? É um dos meus livros de fantasia sombria favorito, que sempre fica em minha memória de leitor, lá no fundo, sempre me chamando para uma releitura. E dessa vez, nessa releitura de 2017, mais de dez anos desde a última, pude viajar novamente pelos cinco domínios, reencontrar o maravilhoso Pie ‘oh’ Pah, e perceber como Clive Barker retrabalhou a mitologia judaico-cristã, especialmente a dos livros do Gênesis, as professias sobre o messias e o Apocalipse, em uma nova forma, buscando a integração do elemento feminino. Fantástico!

Para quem não conhece Imajica, é uma fantasia contemporânea sombria e épica, mais de 1000 páginas narrando uma saga apocalíptica que mistura sexualidade profana e anarquia espiritual, deuses e deusas, viagens por outras dimensões, ou domínios, e busca questionar o papel do elemento masculino e feminino dentro do imaginário judaico-cristão. E, mesmo lidando com esses temas pesados, é ainda uma narrativa de muita ação, horror, violência, e a marca registrada do Barker, o clímax múltiplo! O final de Imajica é uma obra de arte narrativa de como quebrar expectativas e ao mesmo tempo dar um final satisfatório para os leitores.

O livro é gigantesco, mas segue um resumão doidimais só para ter uma noção da história:

O Imajica é a totalidade da criação, o mundo verdadeiro, quatro quintos dos quais, nós, os habitantes do Quinto Domínio, a Terra, não temos acesso. Como a Terra se separou, , com o acesso bloqueado para os outros Domínios Reconciliados pela terrível dimensão lovecraftiana infernal do In Ovo, ninguém sabe. Mas ao longo da história surgiram os Maestros, homens de grande e terrível poder, que tentaram unir o Quinto Domínio com os outros Domínios, para finalmente deixar o Imajica completo. O último deles foi o Maestro Sartori. Com seus acólitos e seus apóstolos ele tentou reconciliar os domínios na passagem do século 18, mas seus esforços terminaram em desastre.

Duzentos anos mais tarde, chegou a hora de tentar o grande trabalho de reunir os Imajica. Mas não há mais Maestros – a organização secreta da Tabula Rasa, descendentes dos seguidores sobreviventes do Maestro anterior, fizeram seu melhor para limpar a Grã-Bretanha limpa de todas as coisas mágicas e assassinar qualquer um que lide com magia.

Algumas coisas, no entanto, são muito grandes para ser interrompidas. O Imajica anseia por ser completo, e seu longo caminho para a reconciliação começa de novo.

E é nessa premissa doidimais que entram Gentle, Judith, o hermafrodita Pie ‘oh’ Pah, Deusas esquecidas, um Deus psicopata, e um monte de coisa louca imaginada pelo Clive.

A prosa é maravilhosa, mas aviso, tio Clive é medonhão, o livro tem cenas gráficas de violência, horror, sexo e o escambau!

Recomendadíssimo para fãs de fantasia sobrenatural! Obra prima do gênero!


Abarat  (Abarat #1) – Clive Barker | 393 pgs. | Lido de 13/04/17 a 16/04/17

Abarat é a segunda obra do mestre Clive Barker para o público juvenil. O primeiro foi o belo The Thief of Always, um livro que infelizmente pouca gente leu. Mas Abarat, publicado inicialmente em 2002, é o primeiro grande projeto de Clive Barker, uma tetralogia que explora o arquipélago de Abarat, uma dimensão dividida em 25 ilhas, cada uma representando uma hora do dia, com a vigésima quinta hora sendo uma ilha misteriosa de onde flui toda a magia que anima os povos fantásticos que habitam as demais.

A histórias segue inicialmente, o esquema clássico de uma menina inteligente, Candy Quackenbush, que vive na cidade de Chickentown, uma cidadezinha miserável do interior, e que, por meio de acontecimentos estranhos, encontra companheiros bizarros e embarca em uma jornada na terra de fantasia de Abarat. Entretanto, é Clive “Hellraiser” Barker que criou essa terra de fantasia, e toda a bizarrice e os temas feministas, subversivos, transgêneros, e doidimais da conta que ele espalha em sua obra de fantasia sombria e terror, aparecem, em uma versão mais juvenil e muito criativa, no universo de Abarat.

Diferente do tradicional, Abarat já começa de cara revelando que a terra de fantasia não é um sonho, e mais, bem ao estilo barkiano, Abarat é até mais real do que o mundo real que vivemos. A narrativa de jornada é bem imprevisível, com a trama quebrando expectativas o tempo todo, e uma espécie de humor perverso permeando os eventos. Os temas da aventura seguem uma espécie de “Lovecraft light” misturado com um “William Blake para os adolescentes de hoje em dia”, mas, é claro, sempre com momentos de horror que, apesar de suavizados, dão a Abarat “presas”. É uma espécie de fábula perigosa, e muito interessante no modo de como uma protagonista feminina e uma visão mais progressista da relação entre os gêneros e de sexualidade além dos códigos binários, ao mesmo tempo que detona com certos moralismos antiquados que ainda permanecem em romances juvenis.

Abarat começou com 386 pinturas feitas por Barker, magníficas por sinal, das quais 100 aparecem no livro. É bem legal comparar as imagens com o texto, o que aumenta bastante a imersão na narrativa. Os personagens são muito interessantes, bizarros e tem personalidades fortes, como cabe em um romance juvenil, e a imaginação de Barker impressiona. O vilão Carrion é um espetáculo à parte!

Recomendadíssimo para quem curte fantasia sombria!


Days of Magic, Nights of War (Abarat #2) – Clive Barker | 569 páginas | Lido de 15/04/17 a 18/04/17

As aventuras de Candy Quackenbush continuam pelas ilhas de Abarat, onde, junto com seus companheiros, ela busca descobrir mais sobre o segredo de seu passado, ao mesmo tempo que uma guerra entre as Ilhas do Dia e as Ilhas da Noite se aproxima.

Uma sequência excelente, que na verdade acaba fechando várias narrativas e fazendo com que os volumes 1 e 2 de Abarat funcionem como uma espécie de duologia, com o livro 3, que estou lendo agora, iniciando uma nova fase dentro do universo da saga.

“Days of Magic” explora mais o vilão Carrion e sua terrível avó Mather Motley, além de mergulhar no mistério da identidade de Candy. Vi muitas semelhanças com Imajica, com a mesma estrutura de um protagonista em busca de seu passado perdido. O vilão Carrion é um show à parte, talvez o personagem mais bem construído da saga até agora, e uma demonstração de que vilões de literatura juvenil podem ser mais complexos do que o de costume.

O final segue a mesma linha apocalíptica que é marca registrada dos romances do Barker, e impressiona com a imprevisibilidade da história.

Recomendadíssimo!


Absolute Midnight (Abarat #3) –  Clive Barker | 576 páginas | Lido de 19/04/17 à 21/04/17 #horror #literaturajuvenil #fantasiasombria

“Absolute Midnignt”, é mais um volume da série Abarat, uma das sagas de fantasia juvenil mais interessantes e originais das últimas décadas!

O foco de “Absolute Midnight” é o confronto entre Candy e Mater Motley, a terrível imperatriz e avó do vilão Christopher Carrion. Além desse confronto, Candy também é confrontada diretamente pela Princesa Boa, cuja alma ela compartilhou por vários anos. Esses dois conflitos são interessantes pois revelam uma estrutura mítica de jornada feminina de autoconhecimento, bem diferente da tradicional jornada masculina e seu confronto com a figura paterna em diversas formas.

Em uma leitura “jungiana” de Abarat Vol. 3, pois toda a obra de Barker é muito influenciada pelas teorias de psicologia profunda de Carl Jung, a jornada de Candy é de integração de duas “sombras” de sua “anima”, a princesa Boa, como uma sombra pessoal, e a “Mãe das Trevas” Mater Motley. É interessante ver que, a figura do Self (o Eu Superior jungiano) em Abarat, se reparte em 3 personagens femininas, as bruxas do Fantomaya. Entretanto, diferente da literatura infanto juvenil baseada em uma moralidade mais maniqueísta, as 3 “guias” de Candy demonstram uma moralidade complexa, o que força Candy a desenvolver seu próprio sistema de valores, ao invés de simplesmente adotar uma visão simplista de “bem contra o mal”.

Minha conclusão é que “Absolute Midnight”, assim como toda a saga Abarat, é uma espécie de Imajica para adolescentes e jovens, com o detalhe interessantíssimo de se tratar de uma jornada messiânica e apocalíptica feminina! Doidimais véio! Barker volta a sua releitura das narrativas judaico-cristã, com Candy fazendo o papel da messias de Abarat. Como sua visão é pluralista e de ponto de vista do “outsider”, dos que ficam à margem, as alterações na narrativa bíblica são muito interessantes. Eventos se espelham na narrativa bíblica; Candy chega a andar sobre a água em uma cena de iniciação, por exemplo. Ao mesmo tempo, ele mistura o horror cósmico lovecraftiano, criando uma moralidade muito cinzenta, mais cinzenta do que o que costumo ver na literatura juvenil. A trama se transforma em uma guerra do “mal contra o mal”, cuja absoluta crueldade faz com que as forças lideradas por Candy se tornam o “bem” sem a necessidade de moralismos antiquados. A moralidade da narrativa é complexa, mais feminina, mutável de acordo com os contextos, e informada pela sensibilidade.

A mistura de um novo grupo de vilões estilo “horror cósmico” chtulhuniano, só faz complicar a jornada, tornando a leitura bem interessante e original.

O ritmo da trama de “Absolute Midnight” é veloz, como nos demais livros, e apesr de bem longo para uma literatura juvenil, a prosa do Barker é poética, a ação bem descrita e os diálogos sensacionais. Mesmo assim, as “lovecrafitiações” do Barker podem ser desafiadoras para os leitores mais jovens, com palavras bem mais barrocas do que o que frequentemente aparece em literatura juvenil.

Um excelente volume, talvez o meu favorito pelo modo como o Barker “chutou o balde” e aumentou o “volume” do horror ao máximo. O clímax, com gancho, estejam avisados, é uma das coisas mais trevosas que já li na vida, naquele esquema do mal contra o mal, contra o mais ou menos mal, e tudo envolvido por trevas eternas!

Recomendadíssimo! Fantasia sombria de primeira”


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